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Economia
16 de Julho de 2010
Votorantim importa 300 mil toneladas de cimento do Vietnã

O consumo de cimento no Ceará atingiu um ponto que está obrigando a Votorantim, um dos principais fornecedores do produto no Estado, a importar do Vietnã. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) está elaborando um relatório no qual estima a quantidade de cimento que suas associadas irão consumir durante o segundo semestre deste ano. O documento será entregue às duas principais fornecedoras - Votorantim e Nassau -, que estão tendo dificuldades para atender a demanda.
Até janeiro de 2011 a Votorantim irá trazer do país asiático pelo menos 300 mil toneladas do produto. O cimento virá em 10 navios, cada um com cerca de 600 mil sacas. As duas primeiras embarcações já foram descarregadas na capital cearense. A importação é considerada uma medida contingencial, já que a produtora brasileira pretende inaugurar em fevereiro próximo mais uma fábrica no Nordeste, no município de Baraúna, no Rio Grande do Norte. Com capacidade de produzir 110 mil toneladas mensais de cimento, a unidade deverá estabilizar o já atribulado fornecimento do produto na região.
"Trata-se de uma situação limite. As fabricantes estão com dificuldades para entregar o produto. Estão buscando medidas para melhorar o cenário, mas às vezes falham e as entregas atrasam", conta o vice-presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro. Segundo ele, o relatório sobre a demanda futura foi um pedido das próprias fabricantes de cimento, que buscam maior previsibilidade no volume de pedidos. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), o Estado do Ceará consumiu 1,437 milhão de toneladas no ano passado, uma média mensal de 120 mil toneladas. Trata-se do terceiro maior mercado da região Nordeste, atrás de Bahia e Pernambuco.
O consumo de todo no Nordeste, segundo o sindicato do setor, somou pouco mais de 10 milhões de toneladas em 2009, um crescimento de 7,2% em relação ao exercício anterior. No mesmo intervalo de comparação, o consumo nacional ficou praticamente estável, avançando apenas 0,2%, para algo em torno de 51,6 milhões de toneladas. Se considerado apenas o primeiro trimestre deste ano, o Nordeste consumiu 2,83 milhões de toneladas de cimento, alta de 24,1% em relação aos três primeiros meses de 2009. No mesmo intervalo de comparação, o consumo nacional avançou 15,6%, para 13,6 milhões de toneladas.
Além do cimento, a região também apresenta o maior dinamismo na geração de empregos na construção. O Nordeste responde hoje por três em cada dez postos de trabalho gerados no setor em todo o país. Procurada, a Votorantim preferiu não entrar em detalhes sobre as importações. Por meio de sua assessoria de imprensa, informou apenas que as compras visam a "complementação da oferta ao mercado", que está "preparado para atender as demandas locais". Até 2013, a empresa irá investir R$ 5 bilhões em novas 22 unidades, das quais nove já estão funcionando.