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Notícias



Setor da Construção

28 de Abril de 2010

Votorantim anuncia mais oito fábricas. Uma será instalada na Bahia

De olho na demanda criada pelo programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, pela expansão do setor produtivo e por grandes projetos de infraestrutura, como a Hidrelétrica de Belo Monte, a Votorantim Cimentos anunciou ontem a construção de oito novas fábricas no País, ao custo de R$ 2,5 bilhões.Com o anúncio, a empresa completa a destinação de seu plano de investimentos de R$ 5 bilhões para o período entre 2007 e 2013, que inclui nove fábricas já em operação e outras cinco atualmente em construção. De acordo com o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka, o anúncio de um aumento no volume de investimentos até 2013 não está descartado.

Quando as oito fábricas anunciadas ontem estiverem prontas, a Votorantim terá 35 unidades produtivas no Brasil. A capacidade produtiva da companhia, hoje de 27 milhões de toneladas de cimento por ano, vai subir cerca de 55% em pouco mais de três anos, atingindo 42 milhões de toneladas ao fim de 2013.A expansão contemplará sete Estados: Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Ceará, Bahia e Pará - o último receberá duas novas fábricas de cimento. A expectativa é que os projetos gerem cerca de 7 mil novos empregos. As unidades de menor porte, de 750 mil toneladas ao ano, localizadas no Ceará e no Maranhão, devem entrar em operação no ano que vem. As indústrias de maior capacidade (2 milhões de toneladas), em Goiás e Paraná, começam a funcionar em 2012.

Expectativas. Schalka diz que a expectativa de crescimento da demanda pelo produto no Brasil para este ano é de 10%. Se a perspectiva se confirmar, o consumo per capita de cimento no País subiria de 280 quilos para 310 quilos por ano. Para os anos seguintes, o executivo prevê que a expansão acompanhe o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), projetado em cerca de 5%. A Votorantim concentra atualmente 40% do mercado de cimento no Brasil. Nos 12 meses encerrados em março, o País produziu 53 milhões de toneladas do produto, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

O executivo explica que os investimentos da Votorantim em novas unidades produtivas superam a expectativa de alta da demanda por cimento nos próximos anos. Segundo ele, a ideia é que a empresa esteja preparada para uma eventual surpresa positiva. Se o crescimento for em linha com o esperado, Schalka diz que a capacidade da companhia deverá ser de 15% a 20% superior ao consumo interno. Atualmente, a "folga" é mais apertada, calculada entre 5% e 10% acima da demanda.

O executivo diz que uma condição para a instalação das oito novas fábricas foi a garantia de que a demanda de energia dos projetos fosse atendida. Ele ressalta, no entanto, que a companhia produz atualmente cerca de 60% da energia elétrica que consome. A empresa, que participa de instituições internacionais voltadas ao desenvolvimento sustentável, usa matérias-primas alternativas para abastecer algumas de suas unidades: em Porto Velho, pneus são usados como combustível; no Pará, há o aproveitamento de resíduos de castanha; em São Paulo, há a queima de lixo doméstico.

Brasil vs. exterior. O executivo lembra que as quase 10 milhões de toneladas de cimento a serem produzidas pelas oito novas fábricas da Votorantim Cimentos vão mais do que compensar a perda de produção representada pelo repasse de três unidades brasileiras à francesa Lafarge, que têm capacidade total estimada em 2 milhões de toneladas por ano. Para crescer no mercado brasileiro, a Lafarge fez uma "permuta" com a empresa brasileira em fevereiro deste ano: trocou sua participação na cimenteira portuguesa Cimpor pelo aumento de capacidade no mercado local.

Nesta quinta-feira, Schalka deve assumir uma das duas cadeiras da Votorantim na Cimpor. Entretanto, por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a empresa fica proibida, ao menos por enquanto, de opinar sobre o destino das 5,5 milhões de toneladas de cimento produzidas pela Cimpor no Brasil. "Toda a vez que uma decisão sobre o Brasil for tomada, a Votorantim e a Camargo Corrêa vão sair da sala."