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07 de Fevereiro de 2012
Valor pago por consórcios supera fluxo de caixa atual de aeroportos

O ágio elevado oferecido no leilão de concessão dos aeroportos deve impor aos consórcios vencedores um novo desafio: como financiar o desembolso da outorga de R$ 24,5 bilhões ao governo. Embora possa se dividida durante o prazo do contrato, seus valores superam a geração de caixa anual obtida hoje pelos aeroportos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será a principal fonte de recursos para os investimentos nas concessões. Mas as linhas do banco não englobam a outorga, que apenas no caso de Guarulhos consumirá pouco mais de R$ 800 milhões por ano, enquanto a estimativa atual de geração de caixa do aeroporto gira em torno de R$ 500 milhões.
Como o BNDES certamente será a primeira porta na qual os consórcios irão bater, a expectativa fica por conta da avaliação do banco sobre as propostas vencedoras. Uma possível, embora pouco provável, recusa da instituição em financiar o projeto inviabiliza o lance do consórcio vencedor. Antes de uma sinalização positiva do BNDES será praticamente impossível para as empresas tentarem qualquer outra forma de financiamento no mercado. Resta, portanto, a opção do aporte direto de capital dos sócios.
Além das linhas do BNDES, o governo concedeu isenção de imposto de renda aos investidores que adquirirem debêntures emitidas pelas concessionárias dos aeroportos. Mas essa opção dificilmente será usada no curto prazo, pelo menos enquanto houver dúvidas sobre a viabilidade da operação.