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Setor da Construção
11 de Junho de 2010
União Nacional da Construção fecha agenda para ser entregue aos presidenciáveis
Melhoria do ambiente de negócios, inovação tecnológica e sustentabilidade são os pontos-chave da agenda da União Nacional da Construção (UNC) que será entregue aos candidatos à Presidência da República como programa de política pública do país para os próximos 20 anos. Nesse período, o Brasil precisará de 30 milhões de novas moradias. As propostas foram temas do debate dos palestrantes representantes de 39 setores da cadeia produtiva da indústria da construção reunidos hoje, em Maceió, no 82º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic).
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, defendeu ações urgentes de planejamento urbano para promover o crescimento sustentável do Brasil. Essa expansão somente será possível com políticas públicas amparadas no binômio ‘desenvolvimento com cidadania e qualidade de vida`. E o trabalho se inicia pelas cidades.
Embora o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil tenha registrado alta de 14,9% no primeiro trimestre de 2010 ante ao último trimestre de 2009, o país ainda enfrenta vários gargalos, principalmente na área da universalização do saneamento básico. O investimento atual de R$ 6 bilhões fica muito aquém em relação às demandas que se aproximam da cifra de R$ 283 bilhões, alertou o vice-presidente para Saneamento, Água, Resíduos Sólidos e Drenagem Pluvial da Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas), Carlos Roberto Rosito.
Rosito destacou o "subsídio cruzado" como um caminho a ser perseguido para solucionar a problemática do saneamento. O Chile universalizou todo o sistema de saneamento básico adotando a política de "subsídio cruzado" onde a população de menor poder aquisitivo paga um percentual pelo uso da água e os serviços de esgoto e drenagem, e a União, o restante. Contudo, lá no país andino, o processo já avançou bastante ao ponto de utilizar o "subsídio transparente" em que todas as despesas e a responsabilidade de cada um estão detalhadas na conta de água do consumidor.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) já se antecipou e elaborou o Projeto Sanear é Viver que tem como meta trabalhar para a universalização do saneamento básico.
A construção pesada também apresentou as reivindicações necessárias para superar a deficiência da infraestrutura logística. O diretor do Sindicato da Construção Pesada de São Paulo (Sinicesp), Manuel Carlos de Lima Rossito, cobrou a modernização da Lei 8.666 e a manutenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) como prioridades para acelerar a realização das obras e dar segurança jurídica aos empresários e garantir os recursos para a recuperação e construção das rodovias, respectivamente.
De acordo com o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), João Alberto Viol, o surgimento repentino de inúmeras obras em diversas regiões revelou a urgência em investir na qualificação da mão de obra especializada em planejamento. Há uma carência de técnicos no setor público capazes de elaborar até termos de referência de projetos. "A falta desses profissionais é um dos motivos para o entrave dos projetos, o que acaba emperrando a execução da obra e prejudicando diretamente a população". E se nada for feito ocorrerá um "apagão" de mão de obra com as demandas da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, afirmou Viol.