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Setor da Construção
04 de Novembro de 2010
Tendência firme

O Banco Central (BC) divulgou na semana passada dados expressivos que comprovam a pujança da expansão do crédito na construção civil. O relatório mostra que o estoque total de linhas para a construção e a aquisição de imóveis atingiu em agosto o patamar recorde de R$ 166 bilhões, um aumento de 4,3% em relação a julho e um dos maiores registrados no sistema financeiro, segundo o BC. No acumulado de 12 meses, o crédito na construção apresentou impressionante aumento de 45,9%.
Desse total, a maior parcela situou-se no financiamento às pessoas físicas: R$ 120,6 bilhões, numa elevação de 51,1% em 12 meses. Os recursos provêm majoritamente da Caderneta de Poupança e do FGTS, seguidos dos empréstimos feitos com as linhas livres dos bancos.
Os R$ 45,4 bilhões restantes distribuíram-se entre créditos à incorporação e construção (R$ 35,3 bilhões), às imobiliárias (R$ 6,6 bilhões) e a outras obras como terraplenagem (R$ 3,4 bilhões).
Economistas ligados ao mercado financeiro questionam se esse crescimento é sustentável. Há estimativas de que o crédito imobiliário vá minguar a partir de 2012, em parte pelo alegado esgotamento da Poupança, em parte pela limitação da demanda.
Entretanto, o próprio mercado financeiro já está se preparando para incrementar outras fontes de financiamento, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esse mecanismo de securitização caminha para a popularização pela via dos Fundos de Investimento Imobiliário com lastro nesses papéis.
A Caixa e outros bancos deverão iniciar e intensificar o lançamento de CRIs. Depois, novos passos serão necessários, como desenvolver o mercado secundário dos recebíveis e atrair os investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, para adquiri-los.
Adicionalmente, boa parte da construção civil está cada vez mais voltada ao atendimento da demanda dos setores que antes não tinham acesso ao mercado imobiliário. A persistirem a oferta de crédito e a elevação da renda, a demanda não deverá arrefecer.
Outra dúvida levantada por alguns analistas ligados ao mercado financeiro é se a construção civil seria capaz de dar conta da demanda aquecida, principalmente em virtude da alegada dificuldade na obtenção de mão de obra qualificada.
Este gargalo existe e até respondeu em casos pontuais pelo aumento dos atrasos na entrega de alguns empreendimentos imobiliários. Contudo, a quase totalidade das construtoras reforçou seus quadros profissionais e está com os cronogramas em dia. Além disso, prosseguem as ações de qualificação profissional. Os cursos do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que em 2008 e 2009 formaram 42 mil profissionais para a construção no Estado de São Paulo, estão elevando esse número para 60 mil em 2010.