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Notícias



Setor da Construção


25 de Janeiro de 2011

Soluções ecologicamente corretas

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Obra sustentável deve ser elaborada desde o planejamento até o uso adequado dos recursos naturais "Utilizar os recursos disponíveis no presente sem esgotá-los e comprometer o meio ambiente das gerações futuras". Muito mais do que um conceito, a sustentabilidade é um modo de vida, de organizar, planejar e executar, de forma produtiva, o uso dos recursos naturais com o objetivo de minimizar os impactos negativos das ações no meio ambiente, na economia e, sobretudo, na sociedade. Prova de que as mudanças estão sendo feitas e que os segmentos sociais estão se adaptando vêm dos setores da construção civil e arquitetura, onde é possível notar um aumento considerável de unidades comerciais e residenciais erguidas sob a óptica sustentável.


"É uma prova de que, além do construtor, na outra ponta, o consumidor também responde positivamente no sentido de exigir novos produtos que se adaptem ao conceito em questão", afirma o arquiteto e engenheiro da Torres Miranda Arquitetura, Maurício Miranda. Para ele, de maneira geral é possível perceber que as pessoas já ajustam seus desejos às necessidades do planeta, optando, no âmbito da construção civil, por soluções responsáveis e eficientes, como uso de coletor solar e telhados com cores claras, que refletem o calor, para atender às demandas sustentáveis.


Por ser sistêmica, no entanto, a construção sustentável deve ser elaborada em um contexto que inclui planejamento da obra, eficiência energética, uso adequado da água e seu reaproveitamento, uso de materiais e técnicas ambientalmente corretas, gestão dos resíduos sólidos, reciclagem, reutilização e redução de desperdício, bem como conforto e qualidade interna dos ambientes e permeabilidade do solo. Além disso, adequação ambiental, viabilidade econômica, justiça social e aceitação cultural, conforme indica o Guia de Sustentabilidade na Construção, organizado pela Câmara da Indústria da Construção e Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIC/Fiemg).


Uma obra sustentável, ressalta o vice-presidente da Fiemg, Teodomiro Diniz Camargos, leva em conta o processo no qual o projeto é concebido, quem vai usar os ambientes, quanto tempo terá sua vida útil e se, depois desse tempo, ela poderá servir para outros propósitos. Tudo o que diz respeito aos materiais empregados também deve ser levado em conta, o desperdício, a energia gasta no processo até ser implantado na construção e se esses materiais poderão ser reaproveitados.


No novo prédio da Federação, o exemplo vem de sistemas especiais instalados para poupar gastos e reduzir desperdícios. Um tapete verde, que facilita a absorção da água da chuva, além de fissuras no chão, aplicados no pilotis e integrados a um sistema de "transporte" para um reservatório específico, possibilitam a reutilização da água na irrigação dos jardins. Nas salas e escritórios, o ar-condicionado alojado no chão aproveita a elevação natural do ar quente e otimiza o resfriamento do ambiente com baixo gasto de energia elétrica.


Outra solução adotada foi a instalação de vidros, isolantes térmicos, que reduzem a perda de calor para o exterior e permitem uma incidência maior de luz natural com redução significativa do uso de luz artificial.


Ainda para racionar o uso de água, foram instaladas bacias sanitárias com válvula que despeja 3 ou 6 litros conforme a opção de uso: menos água para resíduos líquidos, mais para sólidos, e torneiras com temporizador, desligadas em tempo programado. Além do objetivo óbvio de reduzir o desperdício e se adequar às urgentes necessidades, o projeto do novo prédio da Fiemg também pretende servir de modelo e exemplo para o aquecido mercado imobiliário, que demonstra investimentos coerentes com relação à sustentabilidade.


"O assunto é a pauta do dia há muito tempo e é sempre possível contabilizar algum tipo de redução de consumo em obras com esta preocupação, como controle de iluminação e energia, por meio de sensores, e de água, com reaproveitamento. Esses são itens pesados nos gastos finais de qualquer empreendimento", destaca Camargos. O projeto, planejado e executado a partir do conceito de sustentabilidade, é capaz de reduzir em até 25% o consumo energético geral do prédio e o retorno do investimento é rápido, em até cinco anos, conforme o empresário.


Em Arraial do Cabo, no Estado do Rio de Janeiro, um projeto da Torres Miranda Arquitetura objetiva reduzir os gastos e ajustar interesses. "A ideia é utilizar tecnologias sustentáveis, programadas para eliminar gastos desnecessários e reduzir os desperdícios da obra", explica Miranda. O trabalho poderá ser notado no uso de energia eólica, por meio de uma hélice instalada na superfície do edifício, além de sistemas econômicos redutores de gastos energéticos e com água. "Qualquer solução pode ser implementada em um imóvel, desde as mais simples, como torneiras e vasos sanitários adaptados, aos sistemas mais complexos como aproveitadores da água da chuva", completa Camargos.