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Economia
31 de Maio de 2010
Saques do FGTS para casa própria bate na casa dos R$ 2 bilhões
Os saques de recursos do FGTS para a compra da casa própria cresceram quase 30% no primeiro quadrimestre do ano em relação a igual período de 2009. De janeiro a abril, 299.929 trabalhadores sacaram R$ 2,1 bilhões de suas contas no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a compra de moradia. Desse valor, 76,5% foram usados por pessoas com renda acima de cinco salários mínimos (R$ 2.550). Só a faixa de renda superior a dez pisos salariais (R$ 5.100) foi responsável por metade dos recursos retirados.
O levantamento aponta que, entre quem ganha até cinco salários mínimos, o valor sacado não chegou a um terço do volume global. Nessa faixa de renda estão as famílias enquadradas pelo governo em programas de habitação popular, com recursos subsidiados. Essa parcela da população (ganhos até cinco salários mínimos) responde por 95% do deficit habitacional do país.
Na avaliação do vice-presidente de fundos e loterias da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco, a chegada da nova classe média ao mercado de consumo está por trás desse aumento nos saques do FGTS para habitação neste ano. “O grande ganho do mercado interno decorre da entrada dessa nova classe média, que passou a consumir. E o primeiro bem sonhado é a casa própria. Isso foi possível porque há crédito e oferta de imóveis pelo setor da construção civil”, afirma o vice-presidente.
Para ele, a percepção de que a economia está em um bom momento, com expansão do mercado de trabalho, também motivou os trabalhadores a assumirem compromisso de longo prazo. BAIXA RENDA - Na maior parte dos casos, o saque dos recursos do FGTS pelo trabalhador é acompanhado de um financiamento imobiliário para atingir o valor do imóvel. “O trabalhador sabe que vai ter emprego no dia seguinte e assume compromissos de longo prazo.”
Das 299.929 operações de saque realizadas entre janeiro e abril, 44,5% foram efetivadas por pessoas com renda acima de cinco salários mínimos. Na faixa acima de dez pisos salariais, foram realizadas 21% das operações. Quantitativamente, o número de retiradas feitas por trabalhadores de renda mais baixa foi um pouco maior, equivalendo a 55,5% do total. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady, nos próximos meses haverá um uso maior do fundo por parte do público de renda mais baixa. “O setor está otimista”, diz.