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Setor da Construção
05 de Janeiro de 2011
R$ 105 bi para a casa própria em 2011

Com total apoio do Banco Central, que pretende dar mais estímulos ao mercado, os bancos vão pisar fundo na concessão do crédito imobiliário, que tenderá a substituir o financiamento ao consumo - alvo de recentes restrições por parte da autoridade monetária.
A previsão, segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio França, é de que a liberação de recursos para a casa própria cresça entre 40% e 50% em 2011, depois de dar um salto de 60% no ano passado. Caso as estimativas se confirmem, somados os recursos da caderneta de poupança (R$ 82,5 bilhões) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (R$ 23 bilhões), será liberada a quantia recorde de R$ 105,5 bilhões, o suficiente para a compra de 1,2 milhão de imóveis novos e usados.
Na avaliação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, será muito saudável para o sistema financeiro ampliar os recursos para o crédito imobiliário, de mais longo prazo, menos arriscado e com impacto menor sobre a inflação. Nos últimos anos, destacou Tombini, o crédito total, que chegou a 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, foi puxado pelo consumo. Mas, diante do recrudescimento da inflação e do excesso de demanda, foi preciso que o BC agisse para frear o endividamento de curto prazo dos brasileiros, reduzindo, ao mesmo tempo, as pressões sobre os preços e os riscos dos bancos, que podiam ser engolfados por uma bolha semelhante à que explodiu em 2008 nos Estados Unidos e levou o mundo à recessão.
Para induzir à mudança no perfil de crédito do sistema bancário, em dezembro passado, o BC retirou R$ 61 bilhões do caixa das instituições por meio dos chamados depósitos compulsórios.
Além disso, passou a exigir mais capital dos bancos para assegurar empréstimos e financiamentos de bens de consumo, especialmente automóveis, com prazos superiores a 24 meses. Imediatamente, o mercado elevou os encargos cobrados dos consumidores. Já para a casa própria, nada mudou. E a tendência é de que, nas próximas semanas, o governo dê novos incentivos ao crédito imobiliário.
Alternativas Segundo o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, um dos estímulos poderá ser a mudança na vinculação dos recursos captados por meio da caderneta de poupança. Hoje, obrigatoriamente, no mínimo 65% dos depósitos têm de ir para o financiamento da casa própria, o que cria uma série de distorções no mercado. "Precisamos repensar a vinculação do crédito imobiliário à poupança. Essa vinculação se tornou um problema", disse.
Barbosa destacou, ainda, que será preciso criar alternativas de financiamento à casa própria, pois a capacidade de liberação de recursos da caderneta tenderá a se esgotar até o fim de 2012.
No entender da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, encontrar fontes alternativas à poupança para o crédito imobiliário é vital, sobretudo porque é a tradicional aplicação que garante o acesso da classe média à casa própria. "Mas não creio que esse seja um tema tão urgente. Na minha opinião, a caderneta continuará sendo a principal financiadora de imóveis do país. O FGTS terá um papel mais social, atendendo à população de mais baixa renda (até 10 salários mínimos)", afirmou.
Pelo sim, pelo não, a Caixa está se movimentando no exterior para captar recursos por meio de fundos. Esse dinheiro será destinado, preferencialmente, para financiamentos diretos às construtoras. O banco estatal, que responde por quase 70% do crédito imobiliário do país, também está emitindo títulos dando como garantias financiamentos que têm a receber. É o que se denomina securitização, ou certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), papéis que são comprados por fundos de investimentos e fundos de pensão. Pagam entre 10% e 12% ao ano de juros.
Juros estáveis Apesar do aumento da taxa básica de juros (Selic) neste m ê s, ni n g u é m d o m e rc a d o acredita em elevação dos encargos cobrados nos financiamentos imobiliários, justamente por causa da vinculação dos recursos disponíveis à caderneta de poupança, que paga 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).