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05 de Julho de 2010

Projetos que preservam meio ambiente ganham força no Brasil

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Apesar do inestimável desenvolvimento tecnológico experimentado no milênio passado, a era também foi marcada por desastres ecológicos imensuráveis, impostos pela necessidade de crescimento e produção da civilização moderna. Neste século XXI, portanto, o desafio da humanidade é utilizar toda esta tecnologia em prol dos esforços para se combater os impactos negativos produzidos à natureza. O termo sustentabilidade está em alta e já influencia a arquitetura contemporânea, como pôde ser observado nas últimas edições dos eventos mais importantes do setor no País e no mundo. Em abril deste ano, por exemplp, quem foi conferir as novidades da Feira de Milão voltou impressionado com o investimento em pesquisas na área: "É notável o empenho que se emprega no desenvolvimento e utilização de materiais sustentáveis", destaca a arquiteta Isve Campos, recém-chegada da Itália. Dentro desse foco, insere-se o conceito de construções verdes e sustentáveis, conhecidas como "green buildings", que surgiram nos Estados Unidos, espalharam-se por Europa e Ásia e agora ganham força no Brasil, que já possui 16 edifícios certificados como construções sustentáveis, 13 deles em São Paulo.


A idéia é que essas edificações agridam o mínimo possível o meio ambiente, desde os materiais usados durante a construção até os custos de manutenção do imóvel. "Para equilibrar os impactos ambientais e sociais com os resultados econômicos, é fundamental que não se pense apenas na etapa de construção, mas no ciclo de vida do edifício, pois a maior parte desses impactos ocorre ao longo da escolha de matéria-prima, da concepção da estrutura e da gestão e reaproveitamento de resíduos", explica Patrícia Paixão, mestre em Energia Renovável e Arquitetura (Renewable Energy and Architecture) na University of Notthingam, no Reino Unido.


Além de um conceito, "green building" é também a denominação mais conhecida da certificação destinada a atestar a sustentabilidade de um prédio, criada pelo Conselho Norte-Americano de Construção Verde (United States Green Building Council) para garantir que o imóvel funcione de modo ecologicamente correto. Trata-se de um selo chamado LEEDO, da sigla em inglês Liderança em Design Ambiental e Energético (Leadership in Energy and Environmental Design), que já certificou construções em 117 países até o momento. O selo passou a ser uma norma reconhecida internacionalmente a partir de 2004 e foi adotada também por aqui, pelo Green Building Council Brasil. Para receber o certificado, o edifício deve atender a uma série de exigências da entidade, entre elas o uso inteligente e racionalizado de água e energia, controle do descarte de entulho, reciclagem de lixo etc.


A necessidade da construção sustentável tem uma ligação direta com a problemática das mudanças climáticas. O primeiro passo para enfrentar a questão foi dado em 1988, na reunião inicial entre governantes e cientistas sobre o aquecimento global, realizado em Toronto, Canadá, onde se relatou que seu impacto tinha um potencial inferior apenas ao de uma guerra nuclear. Outro marco aconteceu em 2005, quando entrou em vigor o Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional já concebido para lidar com esse que é o maior desafio ambiental da História dos povos.
O acordo é que os países industrializados reduzam em 5,2% - em relação aos níveis de 1990 - suas emissões de gases de carbono. Essas metas devem ser cumpridas até 2012, quando darão lugar a novas leis ambientais a serem definidas, depois do insucesso do encontro de Copenhague em dezembro passado. Embora o tratado não exija compromissos de redução de emissões de gases de países em desenvolvimento, o Brasil assinou a carta de ratificação do acordo em 2002.


Especialistas do setor imobiliário são unânimes em concluir que o futuro da construção civil passa necessariamente por projetos que tenham um impacto menor sobre o meio ambiente. A questão é global, mas as soluções são necessariamente regionais. Por isso, o sistema de certificação americano passou por um processo de adaptação à realidade brasileira. O trabalho envolveu a pesquisa de uma equipe multidisciplinar, entre arquitetos, engenheiros, biólogos e profissionais de diversas áreas de atuação e regiões do País, que elaboraram sugestões para aumentar a pontuação de construções que privilegiem a acessibilidade de pessoas com deficiência, a redução de consumo de água, aquecimento solar, incentivos à regionalização, com desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, e a redução de desperdícios nas obras.


Também é necessário investir em reformas. O consumidor deve saber do potencial que tem para reduzir o consu¬mo de água e de energia e separar melhor seu lixo. Ele deve ter em mente que a substituição de uma fachada por vidro e a troca dos equipamentos de ar-condicionado são soluções capazes de reduzir o consumo energético em até 50%. Patrícia observa que o importante é buscaruma energia renovável, não alternativa. "Ouso do ar-condicionado no Rio de Janeiro, por exemplo, é crucial. Por questões de conforto e até segurança, não é viável que se deixe de usá-lo. O fundamental é encontrar uma maneira eficiente e econômica de sua utilização, com um retorno a curto ou médio prazo."
Patrícia lembra que o preço de projetos ecológicos é alto, mas que a economia que proporcionam a longo prazo compensa o investimento. Ela destaca a importância de uma política que incentive esse tipo de consumo e, nesse sentido, ainda que a legislação brasileira esteja muito aquém do desejável, o País começa a dar indícios de um novo posicionamento. Um exemplo é a iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atualmente banca 1,4 percentual ao mês de produtos de alta eficiência energética. O planeta agradece.