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26 de Abril de 2010
Programa ajuda empresa a tratar resíduos no canteiro de obras
Em parceria com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), o Serviço Nacional da Indústria na Bahia (Senai-BA) desenvolve, desde 2006, o Programa de Gestão de Resíduos e Reciclagem em Canteiros de Obras. O objetivo do programa é ajudar as empresas do setor a darem tratamento adequado ao entulho produzido nas obras, desde a geração até o destino final.
Conforme a gerente da área de construção civil do SenaiBA, mestre em engenharia ambiental e urbana, Patrícia Evangelista, os operários e engenheiros são orientados a reduzir a geração de entulho, fazendo uma distribuição seletiva de resíduos plásticos, metais, papéis e madeira. “Não tendo como evitar 100% a geração, esse resíduo é segregado e separado no próprio pavimento.Alguns resíduos são enviados para cooperativas de reciclagem”, diz Patrícia.
Já os resíduos mais volumosos, chamados de classe A, são os mais valiosos para as empresas, pois podem ser reciclados e transformados em agregado: areia e brita, para que sejam reutilizados novamente no canteiro de obras.“É a forma mais sustentável e responsável de lidar com os entulhos. Algumas empresas têm tido iniciativas de reciclar no próprio canteiro”, ela informa.
Patrícia acredita que o descarte inadequado de entulho pela cidade é resultado da “falta de conhecimento técnico” de muitas empresas, que podem economizar no pagamento do transporte do entulho até o aterro, e na compra de areia e brita, por exemplo, se colocarem em prática o projeto de gestão de resíduos e reciclagem nos canteiros.
“A grande queixa, antes da criação do aterro da Solvi, era para onde levar. E a segunda questão é o conhecimento técnico. Essa prática não é tão difundida no Brasil, mas ela traz retorno financeiro para as empresas”, diz. Segundo Patrícia Evangelista, o programa já foi implantado em mais de 30 canteiros de obras, enquanto, para reciclagem, já existe um projeto piloto em três canteiros.
Concorrência O presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil, Carlos Alberto Vieira Lima, afirma que o programa tem trazido bons resultados, e os operários, por exemplo, estão mais conscientes da necessidade de selecionar os materiais encontrados nos entulhos. “É muito mais um processo de gestão, no sentido de diminuir a geração de resíduos e aumentar a seleção dele. Tem sido positivo”, diz Lima.
Sobre o descarte inadequado, ele diz que o sindicato promove reuniões, desde o ano passado, para que sejam criados outros aterros de entulho na cidade, mas o assunto não evoluiu. Para ele, é necessário ter concorrência para que a empresa terceirizada que realiza o descarte opte pela melhor opção de preços. “Não evoluiu junto com a Prefeitura de Salvador. Não houve demonstração de interesse da prefeitura de tratar desse assunto com a devida atenção”, reclama ele.
Para o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Asher Kiperstok, deveriam existir medidas punitivas para quem gera entulhos em canteiros de obras, uma vez que o município não tem estrutura para fiscalizar o depósito inadequado dos resíduos.“As obras deveriam usar materiais pré-fabricados.Aqui no Brasil, infelizmente, usamos tecnologias de décadas passadas”, aponta Kiperstok.