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Geral


25 de Outubro de 2011

Primeiras Histórias: Seis perfis de mulheres que fazem a diferença

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Em 2005, ela foi eleita pela revista norte-americana Variety uma das cinco produtoras mais influentes do planeta. Depois de se formar em comunicação social pela Faap, Andrea foi parar na área comercial da Olhar Eletrônico, a produtora que nos anos 1980 renovou a forma de fazer televisão no Brasil.

Seu jeito seguro de comandar chamou a atenção dos diretores da empresa, Fernando Meirelles e Paulo Morelli, que logo a convidaram para ser sócia-fundadora de uma nova produtora, voltada para o mercado publicitário. Assim nasceu, em 1991, a O2 Filmes. Enquanto Meirelles e Morelli estão mais voltados para a direção de comerciais e filmes, cabe a Andrea gerenciar aquela que é, hoje, a maior produtora brasileira e uma das mais importantes do mundo.

"Alguém precisa pilotar o barco. No caso da O2, sou eu", brinca Andrea, que tem nas mãos o comando de cerca de 150 pessoas e orçamentos na maior parte das vezes na casa dos seis zeros.

Objetiva, Andrea é do tipo que não faz nove horas para nada. "Sou uma mulher muito prática e acho que isso sempre assusta um pouco as pessoas", diz.

Quando o interlocutor não vai direto ao ponto numa conversa é comum ouvi-la dizer uma palavra que se tornou sua marca: "Edita!".

 

Leila Velez
De atendente do McDonalds a empreendedora de sucesso

Desde pequena a carioca Leila, de 37 anos, queria ser dona do próprio nariz. "Com 8 anos, eu vendia pulseiras no prédio onde meu pai era zelador", conta. Aos 12, virou representante da Avon. Dois anos mais tarde, batia ponto como atendente do McDonalds, emprego que a tornaria, aos 16 anos, a gerente mais jovem de toda a rede mundial.

Mas seu espírito empresarial pedia mais. Em 1993, com apenas 19 anos, Leila fundou o Instituto Beleza Natural, ao lado de mais três sócios. Entre eles, Heloísa Assis, a Zica, criadora de um creme batizado de Super-Relaxante para cabelos crespos. Com a fórmula de Zica e o empreendedorismo de Leila, o primeiro salão, aberto na Tijuca, logo se transformaria numa rede com 11 endereços e um fluxo de 70 000 clientes todo mês.

O Instituto tem ainda uma fábrica, a Cor Brasil, que produz mensalmente 250 toneladas de cremes, xampus e condicionado- res. Segundo Leila, presidente do Instituto, o sucesso da empresa está no atendimento inovador. Cada cliente passa por vários es- pecialistas, o que agiliza o serviço. "Eu me formei em administração, fiz cursos nos Estados Unidos, mas minha escola foi mesmo o balcão do McDonalds", brinca Leila.

 

Silvya Stuchi
A cientista desenvolveu uma pele artificional que reduz o uso de animais em testes na indústria farmacêutica

Enquanto a irmã brincava de boneca, ela preferia observar insetos. Na escola, gostava de ciências. E quando ganhou dos pais um laboratório mágico, daqueles com fumacinha saindo dos tubos de ensaio, decidiu: "Vou ser cientista". "Sempre tive esse olhar curioso", conta Silvya Stuchi Maria-Engler, uma das mais renomadas cientistas brasileiras da nova geração. Aos 42 anos, essa bióloga lidera na Universidade de São Paulo (USP) pesquisas com o uso de uma pele artificial idêntica à humana, que permi- te avaliar a toxicidade e a eficácia de novas drogas para o tratamento de câncer.

Seus estudos também ajudam as indústrias a testar produtos cosméticos, reduzindo a necessidade do uso de cobaias animais. Agora, ela luta pela criação de um centro nacional de testes alternativos. "A indústria cosmética europeia já baniu o uso de animais. Nossa pesquisa vai trazer esse avanço ao Brasil", afirma Silvya, com um carregado sotaque caipira. De Catanduva, no interior paulista, à Califórnia, onde fez seu pós-doutorado, a menina que gostava dos tubos de ensaio agora coleciona prêmios como o de Paulistano do Ano da revista VEJA São Paulo, em 2010, na categoria cientista. De família humilde e tendo estudado a vida toda em escola pública, ela ensina: "Dedicação é tudo". Por Fabio Schivartche

 

Carla Mayumi
Apaixonada por tecnologia e tricô, a gaúcha é um dos maiores nomes em pesquisa de mercado do país

Um mês padrão na vida de Carla pode incluir uma semana vivendo com uma família na Índia ou dois dias na Amazônia falando para um público que inclui de cientistas a índios. Sócia da BOX 1824,  empresa que identifica tendências de comportamento e atende clien- tes como Nike, Fiat, Itaú e PepsiCo, ela está à frente de algumas das pesquisas mais inovadoras no mundo.

Seu cargo é VP de Inovação, um título que impres- siona, mas do qual ela não gosta muito. "Estou tentando criar um cargo com a palavra colaboração." A gaúcha, que já foi estilista de calçados e professora de inglês, nunca terminou a faculdade de publicidade porque do que ela gosta mesmo é de colocar a mão na massa. "É isso que me permite en- tender as inovações que não param de surgir." Criadora do blog nitnit. wordpress.com e organizadora de encontros entre tricoteiros, sim, tricô mesmo, ela conta que herdou da mãe o gosto por agulhas.

E que aprende com os filhos, Bruno e Dora, um bocado sobre tecnologias e como elas estão nos transformando. Com a certeza de que os dois universos não são contraditórios, vai costurando uma das carreiras mais interessantes do país. Por Bárbara Soalheiro

 

Pricila Azevedo
Está à frente dos 115 policiais que pacificaram o morro Santa Mara, no Rio

Ela usa uma pistola prateada calibre .40 no coldre. Mas sua melhor arma é a conversa. "As mulheres têm mais tato que os homens. E isso ajuda a mediar conflitos", diz Pricila Azevedo, major da PM do Rio de Janeiro, que participa desde o início, em dezembro de 2008, do projeto das unidades de pacificaç̧ão dos morros cariocas, as UPPs.

No Santa Marta, onde moram 8 000 pessoas, não houve mais nenhum caso de homicídio nos últimos dois anos, afirma Pricila. Chefiando 111 homens e quatro mulheres, ela tem conseguido mudar a imagem da corporação entre os moradores do morro. "Antes, a PM era vista como inimiga e os bandidos, a referência. Aos poucos vamos conquistando respeito." A major caminha diariamente entre as vielas do morro para ouvir as necessidades dos moradores.

Joga bola com a criançada, vai às reuniões da comunidade e até participa das campanhas de vacinação. Em fevereiro, Pricila foi promovida a coordenadora-geral das UPPs do Rio, a primeira mulher a ocupar a funç̧ão. Aos 33 anos, solteira, ela agora busca resgatar a feminilidade que o trabalho árduo relegou ao segundo plano. "Até estou indo ao salão de beleza, fazendo hidratação no cabelo e unha", comemora, do alto do castelo de cimento que a UPP cravou no topo do morro, com uma bela vista para o Cristo Redentor. Por Fabio Schivartche


Miriam Mós Blois
A Arquiteta está liderando As reformas da Ceagesp, a maior Central de Abastecimento de Alimentos da América Latina

A Ceagesp é um universo de frutas, legumes, flores e gente. Muita gente. Cerca de 60 000 pessoas circulam diariamente por lá, sendo que 600 são funcionários que asseguram o abastecimento diário de 12 milhões de paulistas. Nesse mar de produtos e barracas, uma mulher de voz firme e temperamento explosivo se destaca. Miriam Mós Blois, de 47 anos, não vende verduras, mas encara uma jornada diária no meio de milhares de homens de feirantes a carregadores e operários.

Miriam é a chefe da manutenção da Ceagesp e a coordenadora das reformas que estão melhorando a iluminação e o saneamento dos gigantes pavilhões de concreto instalados na zona oeste da capital paulista. "Endureço quando é necessário, mas sem perder a ternura", diz Miriam, que faz questão do salto alto quando está na área administrativa e em reuniões de gabinete. A arquiteta começou a carreira assentando tijolos na obra de um hospital.

"Tive de encarar essa parte para ganhar o respeito da peãozada." Todos os dias, ela troca o salto por um par de tênis para fazer a ronda entre os expositores e saber as novidades da "rádio peão". Corintiana, descobriu que falar sobre futebol ajuda a gerar empatia com os carregadores do Ceagesp. "Só não uso decote. Não ia dar certo!", brinca. Por Fabio Schivartche