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13 de Maio de 2010
Poluição sonora supera limites impostos por lei e metrô irá piorar a situação
Não bastassem o atraso de dez anos para finalização de apenas 6,5 km de extensão e as denúncias de superfaturamento, as obras do metrô de Salvador não preveem estrutura de isolamento sonoro, o que pode agravar,caso a falha persista, os já elevados níveis de poluição sonora da região da Avenida Bonocô. O diagnóstico é da arquiteta Débora Barreto, mestre em engenharia ambiental Urbana. Ela fez projeção acústica da área a partir da implementação do metrô.
Os estudos apontam para acréscimo de seis decibéis (dB) nos ruídos da avenida, em trechos amenosde30metrosdo equipamento, com os trens rodando. A estudiosa defendeu dissertação de mestrado sobre o tema em 2007. A projeção foi realizada a partir de medições do metrô de Brasília, cuja emissão de ruído a quatro metros de distância do trem chega a 97 dB. “É a mesma tipologia de implantação da via do metrô de Salvador, portanto, ruídos semelhantes”, explica Débora.
Como referência, Débora usou medição de 2006 do estatístico José de Jesus Araújo, hoje fiscal sonoro da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom). À época, o volume sonoro na Av.
Bonocô tinha média de 79 dB. Hoje, inclusive, tende a ser maior.Mesmo assim, 79 dB já é um nível muito acima dos permitidos pela NBR10.151 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),de45dB para ambientes internos e60 dB para externos. Também extrapolam os limites estabelecidos por lei municipal, uma média de 65 dB.
Níveis sonoros acima de 70 dB aumentam, por exemplo, os riscos de enfarte, provocam alterações do sistema auditivo e perda de 70% dos estágios profundos do sono, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). Um aumento de seis decibéis, com o metrô, elevaria os níveis de poluição sonora na região para além dos 80 dB. “Acima de 80 dB, com seis horas de exposição direta, a pessoa pode sofrer de problemas auditivos”, pondera o otorrino Paulo Dórea.
Fora dos níveis
“Não é só o metrô o vilão da história. Com ele ou sem ele, já estamos acima dos níveis aceitáveis”, diz Débora sobre a situação da Avenida Bonocô. Mas ela adverte que o projeto do metrô já deveria ter medidas para atenuar ruídos.
Como solução, ela indica as barreiras acústicas. “São utilizadas no mundo todo, em vias de transporte”, explica. A arquiteta lembra que em São Paulo o trecho de superfície, na zona leste, tem barreiras acústicas que, informa, diminuem ruídos em até 20 dB.
Doutora em engenharia de transportes pela Universidade do Rio de Janeiro, Ilce Marília Dantas ressalta que, segundo a lei, “são exigidas medidas para mitigar ruídos, e a mais adequada para o metrô é a barreira acústica”. A Secretaria de Transporte e Infraestrutura (Setin), pela assessoria de imprensa, afirma que não vai adotar barreiras acústicas porque “não são necessárias”. Informa que, elétricos, os trens produzem barulhos“ mínimos”e lembra que o licenciamento ambiental da obra foi dado sem referências a essa questão. Débora Barreto rebate dizendo que os ruídos não virão dos motores (realmente silenciosos), mas do atrito entre rodas e trilhos. “É um ruído na fonte de 97 dB”, diz.