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Setor da Construção
27 de Maio de 2010
Operários pedem mais segurança no trabalho
“Os acidentes de trabalho são previsíveis, portanto, sempre podem ser evitados”, garante Alexandre Jacobina, coordenador de vigilância de ambiente de trabalho do Cesat (Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador), que investiga as circunstâncias do soterramento e morte de Niosvaldo Santos Silva, 46 anos. O acidente ocorreu durante a limpeza de um canal das obras da Via Expressa, na Rótula do Abacaxi, na última terça-feira. Ontem, trabalhadores da construção pesada interromperam as atividades e se reuniram em assembleia para discutir medidas de prevenção.
“Por enquanto ainda não sabemos o que provocou o acidente, mas, se ele morreu soterrado, com certeza havia condições favoráveis para o soterramento, que não poderiam ser evitadas pelo trabalhador, mas sim pela empresa”, reforça Jacobina, destacando as condições inadequadas de trabalho. “As empresas se preocupam em proteger os trabalhadores com seus equipamentos individuais de segurança, mas deixam de lado, muitas vezes, a devida adequação do local de trabalho e o controle dos riscos”, diz.
De acordo com Jacobina, antes de o trabalhador adentrar o canal, deveria ter havido uma inspeção no local, para verificar possíveis riscos de deslizamento de terra. “Não justifica dizer que a culpa foi da chuva”, acrescenta. Dados da Previdência Social apontam que, na Bahia, o soterramento está entre as causas mais frequentes de mortes de trabalhadores, que são vítimas ainda de quedas de altura e choques elétricos. “Todos causados por falta de medidas de prevenção”, insiste.
As últimas estatísticas apontaram, em 2007, a ocorrência de 486.048 acidentes de trabalho, em todo país. Na Bahia os números chegaram a 15.208. Em relação ao ano anterior houve um aumento da incidência de 14,9% (2006) para 16,1% no Brasil e na Bahia de 9,5% para 11,5%. “Infelizmente, estes números costumam se manter todos os anos”, destaca. Naquele mesmo ano, a construção civil esteve em sexto lugar em número de acidentes de trabalho, que perdeu para fabricação de açúcar, atividades hospitalares, fabricação de pneus, fabricação de calçados e outros. A maior taxa de mortalidade da Bahia ocorre no extremo sul do estado, com 31,2%. Em Salvador, que pertence à região leste, a mortalidade é de 4,5%.
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial da Bahia (Sintepav), os trabalhos serão retomados hoje, mas a área onde ocorreu o acidente permanece interditada, conforme determinação do Ministério do Trabalho. Ontem, os operários paralisaram as atividades em solidariedade à família de Niosvaldo, que foi enterrado à tarde, na cidade de Conceição de Feira. “Vamos aguardar os resultados da perícia, mas, enquanto isso, vamos verificar a obra, para identificar áreas de riscos e evitar novas tragédias”, diz Paulo Roberto, secretário geral do Sintepav.
A Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder) criou uma comissão para apurar o acidente e destacou que Niosvaldo estava em companhia de outro operário e ambos utilizavam os equipamentos de proteção individual (EPIs). A comissão, que é formada por técnicos da Conder e engenheiros da OAS, tem 30 dias para apresentar um relatório.