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Setor da Construção


10 de Janeiro de 2011

Obras sem planejamento são a marca de Salvador

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Cercada de atrativos para seus moradores e visitantes, Salvador possui uma característica negativa que não escapa a olhares mais atentos. São obras viárias e de construção de imóveis que começam e não são concluídas, ou chegam até o final sem sanar o problema para o qual foram idealizadas e até criam novos transtornos. Segundo o doutor em arquitetura e urbanismo Antônio Heliodório Lima Sampaio, esta situação é fruto do que ele chama de A Era do não Planejamento.

“As obras são feitas ao sabor político do dia, pois não se pensa a cidade em todos os aspectos. Sem o pensamento a longo prazo, outras só funcionam por alguns anos. São coisas criadas pela descontinuidade administrativa. A cada gestão, as ações iniciadas pela gestão anterior são abandonadas, modificadas e nunca desenvolvidas”, disse o também professor de planejamento urbano da Faculdade de Arquitetura da Ufba.

Entre os exemplos de “incompetência política e técnica” está a sucessão de erros que impossibilita a conclusão e funcionamento do metrô. “O destino final das pessoas que chegam na Lapa é o centro da cidade, até onde o metrô deveria ir e não ficar na periferia do centro. Se perdeu a oportunidade de revitalizar a área e priorizar o transporte de massa”. O metrô está incluído ainda no rol das obras que ultrapassam orçamento estimado antes da execução do projeto. O urbanista também aponta como erros a redução para 6 km, a posição das estações e eliminação da que estava prevista no bairro de Cosme de Farias e a ausência de uma oficina de manutenção.

Dentre as construções não concluídas está a via exclusiva para ônibus que ia da Avenida Bonocô até a Vasco da Gama. “Da Vasco deveria ir até o Ogunjá. Nem terminaram e ainda destruíram na Bonocô para fazer a praça”, disse Antonio Heliodório. Esta última, apesar de necessária, oferece perigo e dificuldade de acesso. “É importante como equipamento para a população, mas a forma é criminosa. É tecnicamente desastrosa”. Pela praça passam quatro passarelas, mas só uma dá acesso ao local.