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Setor da Construção
25 de Agosto de 2010
Obras de base precisam de mais R$ 120 bi privados

epois de sete anos de aumentos consecutivos, o fôlego do governo para financiar investimentos de longo prazo em infraestrutura no Brasil parece estar chegando ao limite. E garantir a execução de todos os projetos necessários ao crescimento do país dependerá de volume crescente de dinheiro privado.
a visão de empresários e executivos ligados ao setor, como Juan Quirós, presidente do Grupo Advento, de engenharia, construção e infraestrutura, e Felipe Jens, da Odebrecht Participações e Investimentos. “Precisamos de outros R$ 120 bilhões de dinheiro privado para começar, para um choque de qualidade”, estima Quirós.
Se em 2003 os aportes estatais foram de R$ 32 bilhões, apenas R$ 6 bilhões a mais que os da iniciativa privada, no ano passado representaram o dobro, batendo nos R$ 81 bilhões, de um total de R$ 122 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib).
Para Felipe Jens, as alternativas disponíveis hoje para financiar projetos com retorno no longo prazo no Brasil são basicamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fundos de pensão e instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Os grandes bancos privados participam da operação, mas re passando os recursos do BNDES. avaliando e assumindo os riscos dos empréstimos. Raramente colocam recursos da própria tesouraria. “É uma realidade muito pouco vista no Brasil” afirma o executivo.
Os motivos para Isso s vários. Na avaliação de Jens, um dela é a taxa de juros futuros, que torna quase impossível para os projetos de infraestrutura competirem em rentabilidade com títulos do governo. Outro problema é a baixa liquidez de papéis de projetos de infraestrutura. “Os bancos têm dificuldade de negociá-los no mercado secundário", afirma.
Por fim, Jens avalia que, mesmo após as leis de concessões, de 1995, e de Parcerias Público-Privadas (PPPs), de 2004, a maioria dos projetos continuou a ser bancada pelo governo. “Quando a responsabilidade pela construção for transferida para a iniciativa privada, tendem a surgir mais papéis.do gênero”, diz.
Uma alternativa para acelerar o processo seria a concessão de isenção fiscal a papéis emitidos para financiar projetos de longo prazo. Algo que o governo já divulgou que está estudando. Menos Impostos garantiriam m competitividade frente aos títulos públicos, por exemplo, e, pelo menos em tese, atrairiam mais Investidores.
Quirós, por sua vez, acredita que a solução pode estar na estruturação de uma poupança imobiliária, com retorno ligeiramente maior que o da poupança tradicional, e de fundos de Infraestrutura especializa dos. “É o pequeno poupador que gera volume”, diz Quirós.
Além disso, continua ele, os fundo de investimento em infraestrutura que existem hoje são uma salada, e fica difícil saber que setores estão gerando maior rentabilidade. Uma incerteza que afasta Investidores.
Nos dois casos, o papei do governo seria ode indutor, com a criação dos fundos no Banco do Brasil ou na Caixa, pressionando os bancos privados para que sigam o mesmo rumo, como aconteceu na concessão de crédito para consumo.
A grande dúvida para Jens é o real tamanho do mercado no Brasil para a pulverização de títulos de infraestrutura, “Não tenho certeza se seriam suficientes para bancar tudo”, afirma.
Por isso, o Brasil deveria pensar em como atrair grandes fundos de pensão internacionais, bancos, investidores institucionais e fundos soberanos, que hoje compram títulos públicos do país. Emprestar de bancos lá fora é uma alternativa menos viável, por causa do risco cambial embutido em projetos de longo prazo.