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12 de Janeiro de 2011

O que fazer para salvar o transporte ferroviário no Brasil

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Os desafios para o novo governo até 2014 são muitos, principalmente no que diz respeito à infraestrutura. Além de aliviar a pressão em áreas críticas, como a do transporte aéreo, a equipe de Dilma Rousseff terá que dar atenção a setores praticamente esquecidos. Um deles é o do transporte ferroviário de cargas, elo importante na cadeia que sustenta o crescimento da economia brasileira. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a malha ferroviária brasileira encolheu de 1960 para cá, porque o investimento em rodovias passou a ser prioridade absoluta. Em 40 anos, a extensão dos trilhos passou de aproximadamente 40 mil km para os atuais 29 mil km. Destes, apenas um terço está em condições de uso.


O movimento seguiu na direção inversa à da necessidade. Segundo o engenheiro especialista em transportes Orlando Fontes, em um país de dimensões continentais como é o Brasil, a regra da eficiência logística diz que, para viagens mais longas, acima de 500 quilômetros, a opção mais barata é o transporte por ferrovias. "Para se ter uma ideia, apenas no estado de São Paulo são feitas mensalmente mais de 30 mil viagens de longo percurso. Estas são viagens tipicamente ferroviárias", diz Fontes, que é professor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


Quando se fala em ampliar a rede de ferrovias no país, há alguns pontos de consenso. Um deles é a necessidade indiscutível de crescimento. O trabalho do Ipea cita uma pesquisa feita com um grupo de empresários de 20 setores. Ela mostra que 65% dos entrevistados passariam a usar as ferrovias para transportar sua produção caso houvesse maior disponibilidade de rotas. "Só não há demanda porque não tem ferrovias. Se construir, a demanda aparece", diz o técnico do Ipea Carlos Campos. Ele explica que a principal vantagem do transporte sobre trilhos é o fato de sua manutenção ser de baixo custo, em comparação ao das rodovias.