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Economia
08 de Junho de 2010
Mercado projeta maior expansão da economia brasileira em 24 anos
Uma semana movimentada no cenário econômico nacional. É isso o que promete a divulgação, hoje, do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, em nível nacional pelo IBGE e local pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Para especialistas, o crescimento do PIB puxa também a alta da taxa básica de juros,definida amanhã pelo Comitê de Política Monetária (Copom). De acordo com o relatório Focus divulgado ontem pelo Banco Central (BC), analistas de mercado elevaram a previsão do PIB anual de 6,47% para 6,60%, o que significa a maior expansão desde 1986, quando o País cresceu 7,49%. Segundo estimativa divulgada pelo Itaú Unibanco, o PIB deve subir 3% em comparação com o quarto trimestre de 2009, período tradicionalmente forte na economia.
O economista Osmar Sepúlveda, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), acredita que o crescimento do índice na Bahia acompanhará a tendência nacional.“ Se o PIB brasileiro cresce, o baiano cresce também, na mesma faixa. Nossa economia é fornecedora de insumos básicos para o centro-sul do País, por isso se torna dependente”, avalia.Ele chama a atenção, entretanto, para a alta dos juros que vem por aí. Em reunião hoje e amanhã,o Copom deve chegar ao patamar de 10,25% ao ano da taxa Selic,de acordo com as previsões de mercado relatadas no Boletim Focus. A elevação é de 0,75 ponto percentual, sendo o segundo aumento consecutivo dos juros, que passaram de 8,75% para 9,5% no fim de abril. A taxa não chegava a dois dígitos desde junho de 2009. “O BC usa qualquer argumentação para aumentar os juros, pois é capturado pelo sistema bancário e pelos especuladores.Defende mais o interesse daqueles a quem deveria regular do que o da população”, critica Sepúlveda.
Segundo ele, a elevação é uma tentativa de segurar a inflação, porém ele acredita que seria mais “honesto” por parte do BC esperar passar os efeitos da sazonalidade dos preços no País para depois tomar um decisão.“No primeiro semestre do ano, tivemos uma subida nos preços.Em alguns itens, já era esperado, como educação e transporte. Além disso, o período de chuvas intenso afetou a agricultura e o abastecimento interno. Mas isso é sazonal. Quando o fenômeno passa, os juros ficam”, aponta Sepúlveda. Ele reclama que a Selic, que deveria ser um instrumento radical, virou uma medida fantasiosa no Brasil.
O presidente da Federação do Comércio do Estado da Bahia (Fecomércio), Carlos Fernando Amaral, adianta que um alta dos juros básicos em torno de 10,25% pode afetar diretamente as vendas do setor neste mês e no próximo. “Os juros inibem o comércio. Se vier um impacto como esse que está previsto, vai ser ruim. O que queremos é que o PIB cresça, mas sem trazer maiores sacrifícios”, afirma. Para os assalariados, não é diferente. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Bahia, Martiniano Costa, entende que PIB e Selic são duas coisas que caminham inversamente. “A alta do primeiro é boa. Já o crescimento dos juros é uma coisa danosa, que quando chegar ao dia a dia da economia vai imprimir uma trava e impedir que a gente tenha acesso a bens materiais necessários à vida de todo trabalhador”, assegura.