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Economia
18 de Outubro de 2010
Inovação depende de apoio para todas fases dos projetos

O novo governo precisa estabelecer um marco regulatório para incentivar de forma efetiva a inovação. Isso porque as atuais políticas brasileiras fazem com que muitos projetos de produtos inovadores se percam no chamado “Vale da Morte”. Trata-se de uma fase transitória, quando os projetos saem dos laboratórios para uma etapa mais avançada, pré-industrial, porém mais cara e arriscada às empresas. O alerta da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) está em reportagem publicada esta segunda-feira, 18 de outubro, no jornal O Globo.
A MEI é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) criada com o objetivo de sensibilizar a iniciativa privada para importância da inovação e discutir novas políticas com o governo. Para fazer com que os projetos não se percam no Vale da Morte, os atuais instrumentos de incentivo à inovação do Brasil devem ser mais eficientes. Segundo o setor empresarial, diz a reportagem, a Lei de Inovação, de 2004, e a Lei do Bem, de 2007, não são suficientes para incentivar os investimentos na fase pré-competitiva dos projetos.
O diagnóstico com as deficiências das políticas nacionais de incentivo à inovação será transformado em documento que será entregue ao presidente eleito. Algumas dessas críticas foram apresentadas ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, em reunião da MEI, realizada no final de setembro, que contou com a participação de empresários do Grupo Ultra, Embraer, Natura, Siemens, e outros. Entre os problemas dos atuais instrumentos de incentivo à inovação estão a ausência de financiamento para projetos de grande porte, a falta de políticas de inovação setoriais e de investimentos em plataforma de inovação para processos de longo prazo.
O professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e consultor da CNI, Carlos Pacheco, enfatiza a importância da inovação para a produtividade das indústrias brasileiras e a competitividade do país. “Precisamos de um choque de inovação, sob o risco de continuarmos exportadores de commodities”, diz Pacheco, na reportagem. As decisões tomadas agora terão resultado em quatro ou cinco anos, mas as mudanças estruturais na indústria levarão mais tempo, completa a reportagem de O Globo.