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Notícias



Setor da Construção


09 de Dezembro de 2010

Há vagas para 15 mil novas habitações no Centro Antigo de Salvador

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Em uma cidade que vem sofrendo com a escassez de espaços destinados à moradia, é de se comemorar a informação de que há um potencial para cerca de 15 novas mil residências no eixo do Centro Antigo de Salvador. O capítulo sobre ocupação urbana e habitação, que integra o Plano de Requalificação Participativo do Centro Antigo de Salvador, aponta a existência de 16 mil edificações na região, das quais 1,1 mil (7%) estão vagas, ou seja, são ruínas, prédios fechados e terrenos baldios com potencial para absorver cerca de oito mil novas moradias. A arquiteta e professora da pós-graduação da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ângela Gordilho, consultora do projeto sobre o tema, observa que este potencial pode subir para aproximadamente 15 mil, se contabilizadas as edificações de uso precário. São aquelas onde há oficinas mecânicas ou outros empreendimentos no andar térreo, ficando os demais ociosos.


Ângela Gordilho explica que o Centro Histórico de Salvador passou por três etapas. Na primeira, entre os anos 50 e 80, as intervenções de recuperação do patrimônio se davam de modo pontual. Na segunda fase, o foco era o Pelourinho, entendido como centro turístico. Nesse momento de ampla reforma, nos anos 90, entre dois e três mil moradores foram retirados. “O plano estratégico era o comércio e o serviço voltado para o turismo”, diz Ângela. Após o boom inicial, o Pelourinho deixou de ser modismo entre moradores abastados. Como o projeto não contemplava sustentabilidade, teve início novo declínio. “Para ter sustentação, as pessoas têm que morar”, diagnostica a professora. A constatação da necessidade de povoar o Centro Histórico e seu entorno, especialmente com representantes da classe média, norteou a terceira etapa, pela qual passa a região e está delineada no Plano de Requalificação.


“É preciso ter multiplicidade de rendas, recuperar o Centro Histórico com conteúdo de urbanidade e transformá-lo em um lugar de indução da cidade, pois é uma referência da matriz cultural do Brasil”, acrescenta Ângela Gordilho. Beatriz Lima, coordenadora geral do Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador – unidade vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) –, pontua que, do potencial constatado de oito mil moradias no Centro Antigo, três mil são de habitações sociais e cinco mil vocacionadas a habitações de mercado (para equipamentos de comércio e serviços). Na área habitacional, destaca Beatriz, há 337 unidades sendo construídas na 7ª etapa de recuperação do Centro Histórico, sendo 66 delas na Vila Esperança. Esta é a antiga Rocinha, por muito tempo alvo de ações policiais em combate ao tráfico de drogas. A localidade também receberá cozinha comunitária, fábrica de instrumentos musicais e biblioteca com centro multimídia. Outras 106 unidades habitacionais estão sendo construídas no bairro do Pilar.