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24 de Maio de 2010

Faltam profissionais adequados para preencher as vagas disponíveis

O Brasil é o segundo país onde os empregadores mais encontram dificuldades na hora de contratar, segundo um estudo divulgado pela Manpower, empresa líder mundial em recursos humanos. De acordo com o levantamento, dos quase mil entrevistados, 64% apontaram que faltam profissionais adequados para preencher as vagas disponíveis. O país fica atrás somente do Japão, que registrou 76% das queixas. A consulta realizada em 35 mil empresas de 36 países informa que 31% dos pesquisados disseram ter problemas para contratar por falta de mão-de-obra apropriada, um ponto percentual acima do resultado de 2009.


A pesquisa, inédita no Brasil, também elaborou um ranking das profissões com maior incompatibilidade entre a qualificação disponível e o perfil demandado. Técnicos em produção, operações, engenharia e manutenção, principalmente os de nível médio, são os cargos com maior escassez de talentos. “O principal problema não é o número de candidatos, mas a incompatibilidade de talentos. Não há pessoas habilitadas para realizar as tarefas demandadas”, afirma Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower no Brasil.


Em entrevista a emissoras de rádio, o ministro do Trabalho Carlos Lupi aponta a falta de qualificação como o grande gargalo da geração de empregos no país e que atinge principalmente setores como a construção civil e os serviços. “No Brasil temos a cultura do diploma universitário, mas deixamos de lado os cursos técnicos e de aperfeiçoamento, que são os mais necessários agora. Falta uma política para cursos de qualificação e aperfeiçoamento de curto e médio prazos”, expõe.


Segundo Lupi, os investimentos em qualificação devem ser prioridade do governo e da iniciativa privada. A aposta para a expansão dos cursos de formação profissional, de acordo com o ministro, é o chamado Sistema S, operado pelo Senaj, Sesi, Sesc, Senac e outros. “Eles estão em todo o Brasil e têm a rede mais preparada para esses cursos. Mas temos que apelar para que ofereçam mais vagas gratuitas, porque quem está desempregado não consegue pagar”, define.
No último dia 17, com base no resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou que a Bahia continua tendo o maior saldo de emprego formal do Nordeste. Mais de 10.590 novos postos de trabalho foram preenchidos em abril deste ano. Nos últimos quatro meses, foram 41 mil novos empregos com carteira assinada na Bahia, com destaque para a agropecuária que liderou o maior número de postos de trabalho (3.510 postos). Nos últimos 12 meses já foram gerados 104.579 novos empregos de carteira assinada em todo o estado.


Apesar da geração recorde de empregos em abril e da previsão de criação de 2,5 milhões de vagas em 2010, a falta de qualificação ameaça o crescimento do número de postos de trabalho formais em todo o país, de acordo com o ministro do Trabalho. A expectativa é que cerca de um milhão de trabalhadores passem por algum curso de formação neste ano, em todo o país. “Estamos muito aquém do necessário, deveriam ser cinco milhões”, salienta Lupi.