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Notícias



Setor da Construção


12 de Dezembro de 2011

Falta de profissionais valoriza mão de obra na construção

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A falta de profissionais para trabalhar na construção civil é comum nas grandes cidades brasileiras. O bom momento vivido pelo setor, com crescimento da demanda por imóveis, alimentada por uma expansão do crédito, tem nos aproximado do limite da capacidade de oferta. E o resultado desse processo é a elevação dos custos, especialmente salários, que são repassados aos preços dos imóveis. Segundo o IBGE, nos últimos 12 meses houve uma ampliação de 4,7% no número de trabalhadores da construção, o que equivale a cerca de 76 mil pessoas. A incapacidade de manutenção no crescimento da oferta de mão de obra resulta em aumento dos salários e benefícios no setor. O rendimento médio subiu 6% nos últimos 12 meses, para R$ 1.369,70. E, hoje, 41,1% dos trabalhadores na construção têm carteira assinada, ante 25,3% em 2003.

A alta nos custos laborais afeta diretamente o custo médio da construção civil, que subiu 6,13% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. Cerca de 45% do custo médio nacional do metro quadrado (R$ 805,67) refere-se à mão de obra. A grande dúvida do setor é por quanto tempo ainda será possível manter uma taxa de expansão da demanda tão descolada da capacidade de oferta. Nesse sentido se mostra importante a ocorrência de algum nível de ajuste que possibilite o alcance do equilíbrio, com menor expansão dos preços dos imóveis.

O avanço da construção no Brasil deu novo status à profissão de pedreiro. O salário, sempre baixo, subiu e, hoje, um pedreiro, um carpinteiro ou um azulejista pode alcançar renda de R$ 4.000 por mês. "Não troco minha vida de pedreiro por nada. Essa é a minha profissão. Tenho meu carrinho, minha casinha e estou educando meus filhos", diz Jair Severino, 41, paraibano de Junco do Seridó, cidade do semiárido nordestino. Casinha, carrinho? Modo de falar... A casa de Severino, em Santo André (SP), tem 142 metros quadrados e o carro é um Voyage ano 2010 que ainda exala cheiro de novo. A retomada da construção civil criou a longevidade no emprego, um fenômeno que só não é maior em razão de um hábito que parte da classe trabalhadora insiste em manter: o acordo para demissão no fim da obra para faturar seis meses de seguro-desemprego.