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15 de Outubro de 2010
Entrevista com o Secretário Extraordinário para Assuntos da Copa do Mundo 2014, Ney Campello

Bahia Notícias: Quantas cidades já declararam apoio à candidatura de Salvador para sediar a abertura da Copa?
Ney Campello - Nos já temos cinco manifestações. Uma do governo do estado do Amazonas, da Prefeitura de Manaus, do Rio Grande do Norte, da Prefeitura de Natal e Recife. Inclusive elas já integram a o BID Book, que foi entregue ao presidente Ricardo Teixeira (CBF).
Bahia Notícias: Qual a importância destes apoios para Salvador realizar a abertura do Mundial?
Ney Campello - Torna-se uma reivindicação mais do que de uma sede ou do Estado da Bahia, é uma reivindicação regional do Norte-Nordeste. Nós somos candidatos de uma região importantíssima para o desenvolvimento nacional e fundamental para a Copa, pois aqui estão localizadas cinco das doze sedes do Mundial. Tendo como um dos objetivos o desenvolvimento nacional, é necessário observar o critério de desconcentração dos investimentos, para que eles não fiquem situados apenas no eixo Sul-Sudeste. E o fato da Bahia ter sido à sede escolhida por estes Estados e cidades, fortalece os argumentos que nós temos utilizado, de que nosso Estado é, de fato, a melhor representação brasileira para a abertura da Copa. Não só pelas condições de infraestrutura, mas também pela sua multiculturalidade. Representamos à diversidade brasileira. Temos a capacidade de fazer a melhor vinculação entre a última Copa no continente africano, e a próxima, em um Estado que foi e continua sendo o berço da civilização brasileira, além de possuir a cidade mais negra fora da África.
Bahia Notícias: Além dos Estados e cidade do Norte-Nordeste, Salvador já recebeu apoio de outras regiões?
Ney Campello - O secretario do Rio Grande do Sul, em um evento em São Paulo, falou que levaria ao comitê gaúcho a proposta de que também nos apoiasse. E o secretário responsável pela Copa em Cuiabá se pronunciou, afirmando que se Cuiabá não realizar se candidatar, a opção seria a Bahia. Então, nos podemos deixar de ser uma reivindicação regional, para no tornarmos uma reivindicação com apoios a nível nacional.
Bahia Notícias: Ricardo Teixeira já afirmou que a final será no Maracanã e o estádio que será construído pelo Corinthians, ao que tudo indica, irá sediar a abertura. Como fazer para combater a força do sudeste, principalmente do eixo Rio-São Paulo?
Ney Campello - Primeiro desmistificando uma informação que naturalmente o lobby da imprensa do sul trata com muita competência, sempre afirmando que a abertura do Mundial será em São Paulo, Estado em que não existe sequer projeto para um estádio ao nível da Copa. O que existe é um projeto de estádio para 48 mil pessoas, que atende ao padrão de jogos para Libertadores, mas não atende os requisitos da FIFA para receber o Mundial. Além disso, o escritório de arquitetura responsável pelo projeto de Itaquera declarou que, em nenhum momento, foi solicitado pelo Corinthians que o projeto fosse adequado aos requerimentos FIFA. Mesmo em um quadro onde não existe absolutamente nenhuma segurança, a imprensa paulista reitera que a abertura será em São Paulo. Então temos que desmistificar isso, pois o presidente Ricardo Teixeira disse a mim que não há absolutamente nenhuma deliberação de que a partida inaugural será em São Paulo. Inclusive, ele falou que a Bahia tem algumas vantagens comparativas, como o fato de estar situada a cerca de sete horas de Madrid-ESP, Lisboa-POR, fato que nos dá uma facilidade de entrada dos turistas estrangeiros, por via aérea. Tudo isso são palavras de Ricardo Teixeira. Também recebi esta semana um ofício dele (Ricardo Teixeira), agradecendo nossa visita, e afirmando que virá a Bahia para conhecer o projeto, e que quando a FIFA determinar o procedimento de escolha, o que não tem data para acontecer, às cidades que se candidataram, inclusive salvador, serão chamadas para acompanhar o processo de escolha de maneira transparente. Portanto não há absolutamente decisão, mas sim um lobby muito forte. É claro que são Paulo, pela sua potência econômica e representatividade política, está fazendo um esforço enorme para convencer o Brasil de que será em São Paulo. Cabe a nós responder a altura, já que enquanto São Paulo tem um projeto, nós já temos um estádio sendo edificado...
Bahia Notícias: E como fazer para que este a Arena Fonte Nova, que no projeto tem capacidade para 50 mil torcedores, tenha 65 mil lugares, que é o requisito da FIFA para sediar a abertura?
Ney Campello - Antes de pleitearmos a abertura e de termos visitado Ricardo Teixeira, tivemos que responder a este requisito do caderno de encargos. Não adiantava pleitear a abertura da Copa, e depois dizer que não temos um estádio com 65 mil lugares. Contratamos uma empresa suíça, responsável pela ampliação dos 16 mil assentos em Durban e 12 mil em Cape Town, na última Copa, que já encaminhou uma proposta técnica de adequação. Existe na concepção arquitetônica da Arena Fonte Nova, uma ferradura aberta integrada ao Dique, deixando aberta a possibilidade de ampliação dos assentos.
Bahia Notícias: Além de Salvador e São Paulo, quais outras cidades já demonstram interesse em receber a abertura da Copa?
Ney Campello - Oficialmente, somente São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Mas pelo que podemos observar na reunião com Ricardo Teixeira, a única que apresentou um BID book, instrumento com toda argumentação, características da cidade e manifestação de apoio, foi Salvador.