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Setor da Construção
02 de Março de 2011
Demanda alta por engenheiros deixa construção em alerta

O crescimento do país está gerando uma lacuna entre a criação de vagas para profissionais com ensino superior no setor da construção civil e o registro de novos engenheiros.
No ano passado, por exemplo, enquanto foram criados 11.559 postos de trabalho para profissionais formados nesse setor, os Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas) de todo o Brasil concederam registro a 6.529 engenheiros civis. Apesar de não incluir na contabilidade a contratação de arquitetos, os dados sinalizam o aperto que afeta o setor.
O movimento é recente: no acumulado da última década, ainda há mais engenheiros registrados em relação à criação de vagas para profissionais na construção civil. No período, foram concedidos 54,8 mil registros de engenheiros civis e criados 44,4 mil postos de trabalho. "Muitos profissionais de engenharia atuam em outras áreas, depois de formados", explica Marcos Túlio de Melo, presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). Segundo ele, no Brasil apenas 30% dos engenheiros civis formados no Brasil trabalham no setor.
Mesmo assim, a discrepância entre o volume de contratações na construção civil e os registros dos Creas sugere que o mercado está próximo de um limite, diz.
"Os dados são alarmantes, especialmente quando analisamos o número de universitários que cursam e os que saem das faculdades de engenharia." Melo diz que a evasão escolar dificulta ainda mais a tarefa de suprir a demanda. "A formação de segundo grau é muito deficiente, e por isso muitos estudantes desistem dos cursos depois de sucessivas reprovações em disciplinas como Cálculo", afirma. Escassez Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a se considerar o patamar de crescimento de 4,5% em 2011, o Brasil deverá ter escassez em áreas específicas de engenharia (veja mais detalhes na reportagem ao lado). "Olhando para trás, vemos maior demanda de 2004 para cá.
Antes disso, o engenheiro se formava e, como tem competências cognitivas que são genéricas, ia trabalhar como analista financeiro ou em outras funções fora da engenharia", afirma o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Divonzir Gusso.
Diante do problema, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) já iniciou conversas com a embaixada de Portugal para discutir a possibilidade de importação de engenheiros daquele país.
Na semana passada, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, defendeu que a falta de engenheiros seja suprida por tecnólogos com formação mais curta do que o bacharelado em engenharia. "O Brasil vai ter que acelerar a formação deste profissional que está fazendo falta no mercado", disse. Segundo o ministro, o Brasil forma um engenheiro a cada 50 pessoas que concluem o curso superior. Na Coreia do Sul, esse número é um engenheiro para quatro graduados e no México a relação é de um engenheiro para 20 graduados.
Gabriel Pinton, diretor da WD Group, que atua no segmento de petróleo e gás, avalia que, para além das questões de formação, os gargalos demão de obra vistos hoje no Brasil devem ser atacados com a participação da iniciativa privada. "O mercado assumiu uma postura muito profissional e não dá para pensar numa empresa que não se preocupe hoje em fazer treinamento e formação de seus profissionais".