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15 de Dezembro de 2011

Déficit habitacional e baixa inadimplência afastam bolha

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O Brasil corre riscos de bolha no setor imobiliário? No cenário de hoje, absolutamente não, apontam especialistas no segmento. As altas de preços, verificadas ao longo dos últimos anos, são vistas apenas como reflexo de um setor que ficou durante anos parado e que agora encontra vias de realinhar os preços brasileiros a níveis internacionais. Em geral, bolhas não são de fácil identificação. Contudo, estudo feito pela MB Associados para a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) indica que, no caso brasileiro, uma sinalização poderia se dar pela situação macroeconômica fora de controle ou um sistema financeiro desregulado - dois fatores bem equalizados na atual conjuntura doméstica. O estudo conclui que o Brasil ainda está numa fase em que a demanda parece ser a razão da evolução dos preços no mercado imobiliário. Há consenso na visão de que a estabilidade macroeconômica do país foi essencial para a virada observada nos últimos seis anos na construção civil como um todo no país, em particular o segmento da habitação. Antes disso, o Brasil viveu cerca de 20 anos de estagnação, o que depreciou os preços no setor imobiliário. O ano de 2003 pode ser considerado um ano de fundo do poço setorial, quando o PIB da construção civil registrou retração de 5,5%.

Para o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, o aquecimento econômico e a melhora no crédito e na renda trouxeram oportunidades de recuperação de preços. "Hoje os preços do mercado imobiliário estão onde deveriam estar, não se trata de bolha. E como tendência vemos continuidade na alta, mas agora o ritmo de crescimento é outro, mais vegetativo". Depois do crescimento de 11,5% em 2010, a Cbic estima que o PIB da construção civil deve crescer 4,8% neste ano e em 2012. O presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação do estado), João Crestana, vai na mesma linha ao falar em recomposição de preços. "São Paulo recuperou preços em relação aos anos 90 e hoje está no mesmo patamar de cidades como Toronto, Barcelona e Lisboa. Claro que temos exceções de preços fora da curva, como um apartamento na Vieira Souto, no Rio, mas na média o que houve foi recomposição de preços".