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Setor da Construção
09 de Dezembro de 2010
Contra Mantega, Lula banca o PAC

Demorou menos de 24 horas para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagisse à intenção do próximo governo de cortar gastos públicos sacrificando, inclusive, obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a partir de 2011. De passagem pelo Rio de Janeiro, ontem, Lula defendeu o controle da inflação e a estabilidade econômica, mas advertiu que, para obter sucesso, o ajuste fiscal pretendido por Dilma Rousseff não precisa atacar o investimento, e sim o custeio. A insatisfação de Lula foi tanta que o presidente queimou etapas, interveio imediatamente e desautorizou o ministro da Fazenda. O Guido (Mantega) teve que falar com dois presidentes ao mesmo tempo. Eu liguei para ele quando ele estava conversando com a Dilma, disse. Segundo ele, não há necessidade de cortar um único centavo do PAC. Se tiver que mexer em alguma coisa, vai se mexer em custeio e não em obra para investimento.
Na segunda-feira, Mantega anunciou que o arrocho nas contas programado para ocorrer a partir de janeiro não iria poupar nem os projetos considerados prioritários. O presidente minimizou as declarações de Mantega, deu a entender que o ministro havia sido mal interpretado na véspera e afirmou que, eventualmente, podem ocorrer remanejamentos de recursos entre obras que estão em ritmo mais lento para outras que se encontram em estágio avançado. Você pode fazer o remanejamento dos recursos, como nós cansamos de fazer agora. Às vezes, uma obra aqui no estado do Rio de Janeiro que vai demorar um pouco mais, você passa o dinheiro para uma que está mais regularizada, e assim vai ganhando tempo, justificou. O nível de crescimento alcançado pela construção em 2010 dificilmente será repetido nos próximos anos, segundo projeções apresentadas ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No topo dos desafios apontados como responsáveis pela desaceleração, figuram a escassez de terrenos adequados e de pessoal qualificado. Há um sentimento geral de que a mão de obra será um dos grandes problemas.
Os empresários estão pessimistas em relação à evolução dos custos, assinalou a consultora da FGV, Ana Maria Castelo. Os resultados superaram as expectativas do início do ano, mas manter taxas de dois dígitos requer um esforço consideravelmente maior. De janeiro a novembro, o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) acumula expansão de 6,95%. O componente mão de obra foi o que mais pressionou, com alta de 8,73%. Apesar de já contarem com um cenário menos aquecido em 2011, os empresários da construção civil se mostram otimistas com o desempenho, conforme a sondagem da FGV. Eles estimam que o crédito seguirá em expansão e os lançamentos de imóveis serão voltados para os segmentos de média e baixa renda, principais alvos do programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida.