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Setor da Construção
13 de Julho de 2010
Construtora vai ao supermercado vender imóvel

O crédito imobiliário deslanchou. Desde abril, o saldo total de recursos para habitação cresce a taxas superiores a 50% em relação a igual período de 2009, puxado por prazos longos dos financiamentos, juros menores e, especialmente, pela recente investida de bancos e construtoras para popularizar os empréstimos. Já há empresas com estandes de vendas de imóveis nos supermercados. Outras anunciam empreendimentos na embalagem de pizza. Os bancos também reduziram a burocracia: cortaram de 40 para 5 o total de documentos exigidos para aprovar os empréstimos e descentralizou a aprovação do crédito, criando escritórios avançados.
Até maio deste ano, o total de empréstimos habitacionais somava R$ 102,4 bilhões, apontam dados do Banco Central, elaborados pela RC Consultores, nas várias modalidades de crédito imobiliário. A perspectiva é de que essa taxa de crescimento seja mantida até dezembro, prevê o diretor da consultoria, Fabio Silveira, ressaltando que se trata de uma estimativa conservadora. Nas suas contas, o total de empréstimos deve atingir R$ 131 bilhões no fim deste ano, ante R$ 87,4 bilhões alcançados em dezembro de 2009.
Dois dados novos sobre o crédito imobiliário que devem ser anunciados nos próximos dias ratificam essa taxa vigorosa de crescimento. A Caixa Econômica Federal, o maior banco financiador de imóveis, fechou o primeiro semestre deste ano com volume de financiamentos de cerca de R$ 33 bilhões, com crescimento de 50%. Em maio, os recursos da caderneta de poupança destinados à habitação e contabilizados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) somaram R$ 4,25 bilhões. O resultado de maio é 87% superior ao mesmo mês de 2009 e, no ano, acumula alta de 75%. Para Celso Petrucci, economista chefe do Secovi- SP, o resultado do crédito imobiliário está superando todas as expectativas, tanto é que a Abecip já revisou de R$ 50 bilhões para R$ 55 bilhões as projeções de empréstimos para 2010.
Perfil. "Estamos sentindo hoje no crédito imobiliário os efeitos da redução dos juros ocorrida em 2009", diz Silveira. Ele observa que a taxa de crescimento elevada não se deve apenas à base fraca de comparação, mas destaca que está havendo uma mudança no perfil do crédito. Se for considerado só o fluxo de novos empréstimos mês a mês, a participação dos financiamentos de imóveis no total do crédito a pessoa física (recursos livres) já representa 31,8% do total de novos empréstimos fechados de janeiro a maio deste ano, enquanto a fatia do crédito pessoal é de 68,2%. Já em 2009 e 2008, a parcela dos empréstimos para compra da casa própria era bem menor, de 13,5% e 17,3%, respectivamente.