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Setor da Construção


19 de Setembro de 2011

Com fartura de vagas, Bahia atrai engenheiros de fora

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O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-BA) registra um contingente de 30 mil engenheiros filiados. O número, contudo, é insuficiente para atender ao mercado, em razão do crescente número de projetos fabris, imobiliários e públicos. Segundo o diretor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Luís Edmundo Campos, “existem diversos estudos que indicam que a necessidade do país demanda o dobro do que se forma”. Somente Salvador tem pelo menos sete universidades ou faculdades com cursos de engenharia – Ufba, Uneb, UCSal, Unifacs, FIB, Unijorge, FTC.
 

Contudo, o volume de cursos não representa um potencial maior para a formação de profissionais com a quantidade e qualificação necessárias.“A gente enfrenta uma dificuldade na formação básica dos alunos em Matemática e Física”, atesta a coordenadora do curso de Engenharia de Produção da Unifacs, Tatiana Espínola. A docente explica que a instituição onde ensina criou um curso de proficiência/nivelamento, sem ônus para o estudante, com o objetivo de suprir essa lacuna.


Tatiana Espínola identifica ainda que os candidatos a engenheiro entram na graduação sem saber exatamente o que faz um engenheiro. Campos acrescenta que, em média, 40% dos ingressos no vestibular não concluem os cursos. “Falta motivação para estudos de Matemática e Física no ensino Médio e Fundamental, com professores bem treinados e com melhores salários. Reestruturação curricular e pedagógica, visando reduzir o numero de abandonos nos cursos de Engenharia”.
 

Quem consegue chegar ao fim encontra um leque de oportunidades grande. Tatiana Espínola informa que 100% dos alunos que se formam se empregam logo ao final do curso. Por atuar na otimização de processos produtivos, o engenheiro de produção ocupa desde cedo, na carreira, cargos de gestão, e mesmo nesta área achar trabalho não é difícil.“Há muita oferta nos estágios, também”, acrescenta ela. No caso de Engenharia de Produção, o profissional trabalha em indústria, logística e serviços. A demanda na Bahia só perde para São Paulo e Rio de Janeiro, onde o fluxo de indústrias, obras de infraestrutura e logística é maior, completa a coordenadora.
 

O conselheiro do Crea-BA, Edgard Gonçalves, informa que, devido à escassez de mão de obra na iniciativa privada, o salário inicial costuma ser maior do que o piso da categoria, que é de oito salários mínimos e meio. Durante a graduação, o futuro engenheiro já recebe entre R$ 800 e R$ 900, na maioria dos casos. Um profissional sênior recebe mais de R$ 10 mil. Porém, o conselheiro teme um efeito semelhante ao da década de 90, quando o mercado esfriou após o boom do final da década de 70 e nos anos 80, fruto do advento do Polo Petroquímico de Camaçari. “Teve até engenheiro que virou vendedor de suco”, frisou. Gonçalves informa que o Crea-BA vem recebendo um volume crescente de pedidos de registro de profissionais de outros estados.

O número de engenheiros estrangeiros, por seu lado, ainda não é significativo, tendo em vista a necessidade de se validar o diploma em universidades brasileiras. Segundo Gonçalves, em Pernambuco há procura por engenheiros de outros estados. “Muitas obras de lá são em três turnos”, destaca.
 

Planejamento tem carência

O presidente da regional da Associação Brasileira de Engenheiros Civis, Enéas Almeida, endossa que houve melhora na profissão em diversos setores, mas um em especial “está meio esquecido”: o setor de Planejamento. Segundo ele, muitas consultorias e órgãos públicos de projeto foram fechados na época da estagnação econômica e até o momento estes organismos não se soergueram. O dirigente atribui o problema a baixos salários no setor público, principalmente em órgãos municipais e estaduais. “Um engenheiro civil cheaxga a receber 20% de um médico. Isso acontece com o arquiteto, o geólogo”, disse.
 

Segundo Almeida, a consequência deste cenário é a contratação de empresas privadas para elaboração dos projetos. “Não sou contra a iniciativa privada. Não é isso. Mas o poder público enxerga toda a sociedade, e a iniciativa privada apenas a sua área de atuação”, argumenta. “Países desenvolvidos licitam a obra com o projeto executivo pronto. No Brasil, licita-se uma empresa para fazer o projeto básico”.