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15 de Outubro de 2010

Bahia fica fora do Horário de Verão

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Do próximo fim de semana até o dia 20 de fevereiro, a Bahia terá que se ajustar a um horário diferente do de Brasília. Do sábado para domingo, os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste vão entrar em horário de verão. Bancos, Correios, órgãos federais, emissoras de televisão, entre outros, seguirão período de funcionamento compatível com o horário especial. A Bahia, repetindo o que já ocorre desde 2003, ficará de fora.


O aumento na demanda por energia resultado do calor e do crescimento da produção industrial às vésperas do Natal definem o período de realização do horário de verão . Desde 2008, por decreto presidencial, foram estabelecidas datas fixas para o início e término do horário de verão no país: no terceiro domingo de outubro e no terceiro domingo de fevereiro, respectivamente. Se o término coincidir com o domingo de Carnaval, a data limite é transferida para o domingo seguinte.


Nos últimos dez anos, o horário de verão tem conseguido uma redução média na demanda de energia de 4,7%. Para o período 2010-2011, a previsão do Ministério de Minas e Energia é de uma economia de 5%. Entre 2009 e este ano, a redução no consumo de energia alcançou aproximadamente 4,4% no Sudeste e Centro-Oeste e de 4,5% no Sul. Segundo a Coelba, no último Horário de Verão realizado na Bahia entre 2002 e 2003, a Coelba houve uma redução de 0,8% no consumo de energia elétrica dos 415 municípios atendidos pela concessionária.


A exclusão da Bahia desagrada a entidades empresariais. O presidente do Conselho Baiano de Turismo, Silvio Pessoa, destacou que o horário especial é adotado nos estados que mais enviam turistas ao nordeste. “Nos grandes destinos do mundo inteiro, o horário de verão é de seis meses, como na Europa inteira”, acrescentou Pessoa. O empresário entende que, com o Pôr do Sol ocorrendo mais tarde, haverá mais tempo para passeios nos atrativos e, assim, consumir mais.


Sílvio Pessoa informou que uma pesquisa realizada em 2001 mostrou a aprovação do horário de verão por 74% da população, contra 25% de reprovação - 1% de não opinaram. O levantamento foi realizado pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Fipe) e USP, por encomenda da Agência Nacional de Energia Elétrica. O Conselho Baiano de Turismo congrega todas as entidades do setor turístico, representantes dos segmentos hoteleiro, de agência de viagem, de jornalistas de Turismo, empresas de evento, supermercados, do setor de embalagens, locadoras de automóveis, de guias turísticos, de bares e restaurantes.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro, afirmou à Agência Brasil que o horário de verão que a economia de energia corresponde ao crescimento de um ano na geração de energia elétrica do país. “Isso é uma vantagem muito grande, porque permite que o Brasil não precise investir em novas hidrelétricas e termelétricas.”


Entidades de turismo protestam


Há três anos consecutivos, o Conselho Baiano de Turismo envia ofício ao governo do estado solicitando a volta da Bahia ao horário de verão – a decisão é federal, por meio do Organizador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Entidades como a Federação das Indústrias do Estado da Bahia e a Associação Comercial da Bahia (ACB) também reivindicaram a inclusão da Bahia. “Não somos nós apenas que estamos pedindo ou os 52 setores que interagem com o setor turístico.

É todo mundo”, acrescento presidente do conselho, Silvio Pessoa. Contatada pela assessoria, a Fieb não quis se pronunciar sobre o assunto, mas reafirmou seu apoio à reivindicação pela volta do horário de verão´.


No documento enviado pelo Conselho de Turismo ao Governo do Estado, a entidade sustenta que “apesar de inicialmente ter-se inserido na cultura brasileira a ideia de que o setor elétrico é o único beneficiado com a medida, de alguns anos para cá tem-se reconhecido benefícios para a população como um todo, seja pela obtenção de maiores espaços diários para o lazer, seja nas atividades ligadas diretamente ao comércio e à indústria, com destaque para o turismo, (seja) nas questões ecológicas e na preservação do meio ambiente, quando se tiram vantagens pelo maior aproveitamento da luz solar”.


Segundo Pessoa, a Bahia saiu do horário especial em 2003, no governo Paulo Souto, “sem que a sociedade fosse ouvida”. Procurada, a assessoria do ex-governador Paulo Souto rebateu o empresário, relatando que a saída do horário de verão aconteceu após uma pesquisa encomendada pelo Estado atestar a desaprovação dos baianos quanto a adoção do horário especial no estado.


As manifestações contrárias ao horário de verão, à época, eram maiores do que os posicionamentos pela sua manutenção, reforçou a assessoria do ex-governador.