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06 de Janeiro de 2012

Arrogância da Caixa não resolverá problema do ‘Minha Casa’

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Não dá para tapar o sol com a peneira. O problema da primeira fase do programa habitacional “Minha Casa Minha Vida”, na faixa de zero a três salários mínimos, é muito sério. Passa longe da forma simplória e, ao mesmo tempo, arrogante como foi tratado pelo diretor executivo de habitação da Caixa Econômica, Teotonio Rezende, em sua passagem por Salvador, nesta semana. Sob os flashes da mídia, na última terça-feira, Resende, ladeado de representantes regionais do banco público, preferiu transferir a responsabilidade da paralisação das obras e do desemprego dos trabalhadores de sete mil unidades do programa em Salvador e Lauro de Freitas às construtoras Prime e RCA. Para o burocrata da Caixa, o problema seria resultado de má gestão das empresas contratadas. Por isso, comprovada a incapacidade de conclusão das obras, o banco público contrataria outras companhias para a construção das unidades. Fácil. “Sopa no mel”, como diz o povão. Seria, se o buraco não ficasse bem mais embaixo. Vamos ver se ele consegue encontrar alguma empresa que consiga concluir as obras com o valor que está sendo pago. Se o propósito era dar uma satisfação à opinião pública, o tiro saiu pela culatra.

A presença de Teotonio Resende em Salvador foi, no mínimo, intempestiva. Na mesma terça-feira, a pedido de líderes do setor da construção, o governador Jaques Wagner apresentara o problema à presidente Dilma Roussef, em encontro na praia de Inema. Não caberia ao burocrata se antecipar a qualquer decisão da mandatária da República. Afinal, mais do que ninguém, Teotonio bem sabe que não houve correção dos valores pagos pelo programa. A defasagem tornou os valores incompatíveis com a realidade do mercado, inviabilizando as obras. E não cabe à Caixa os recursos do “Minha Casa Minha Vida” que bancam as casas populares para a faixa de zero a três salários mínimos. São do Orçamento Geral da União. Teotonio perdeu uma boa chance de ficar calado e economizar o dinheiro do banco público com sua passagem aérea e hospedagem em Salvador. Ontem (04/12), líderes do setor da construção baiana estavam em Brasília, onde tinham audiência com o ainda ministro das Cidades, Mário Negromonte. Teotonio vai acabar tomando um puxão de orelha.