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Setor da Construção
20 de Setembro de 2011
Além do bê-á-bá

A cena de profissionais da construção civil sentados em bancos escolares, em pleno canteiro de obras, não pode mais ser considerada algo inusitado. Afinal, muitas construtoras oferecem esse benefício há tempos, como forma de alfabetizar os seus empregados. Mas ensinar as primeiras letras já não é mais suficiente. Com a carência de mão de obra do setor, a regra agora é oferecer cursos profissionalizantes. "Além da educação básica, passamos a ensinar tarefas de marcenaria, carpintaria e hidráulica", afirma Juan Quirós, presidente do grupo paulista Advento, que fatura mais de R$ 1 bilhão com quatro construtoras, entre elas a Serpal Engenharia, que realiza o projeto.
Lançado há um ano e meio, o projeto, que está sendo desenvolvido em dez obras da Serpal, deverá treinar dois mil funcionários e consumir investimentos de R$ 2,8 milhões até junho de 2012. A aposta em cursos profissionalizantes não se justifica apenas em razão da carência de mão de obra. Com o avanço tecnológico e novas técnicas de construção, há uma necessidade natural de que as equipes estejam preparadas para lidar com metodologias e equipamentos mais modernos utilizados nas construções. Uma das empresas que saíram na frente na educação de seus profissionais foi a Racional Engenharia, construtora paulista especializada em grandes projetos privados, com faturamento de R$ 800 milhões no ano passado.
Os cursos profissionalizantes costumam formar carpinteiros, pedreiros, encanadores, pintores, além de outros especialistas em atividades necessárias nas obras. A construtora mineira MRV, com foco em construções, e receita líquida de R$ 3 bilhões em 2010, é outro exemplo. Mas em vez de levar os professores para o canteiro de obras, a companhia está construindo duas escolas, em Porto Alegre e Salvador, em parceria com as prefeituras locais. As construtoras, com o esforço de alfabetizar e formar seus profissionais, já estão colhendo resultados. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a participação de trabalhadores analfabetos na construção civil caiu 19% entre 2006 e 2010. No ano passado, eles representavam 0,99% de um contingente de 2,6 milhões de trabalhadores. Há quatro anos, eram 1,18%.