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Setor da Construção
19 de Setembro de 2011
A união de esforços pode dar conta de tanto crescimento na construção

PAC, Minha Casa Minha Vida, Copa, Olimpíadas, crescimento da economia e incentivos diversos estão fazendo com que o boom da construção civil observado nos últimos dois anos seja um crescimento mais duradouro no Brasil. Isso impulsiona o mercado e só no primeiro trimestre de 2010, 167 mil novas vagas foram oferecidas só no Estado de São Paulo. Da projeção inicial de 275 mil vagas para o ano todo, espera-se um aumento deste número - e carência e desqualificação - proporcional.
A mão-de-obra qualificada correspondia a 90% do setor há 30 anos atrás. Hoje, esse número é de 60%. Os acidentes de trabalho com afastamento aumentaram mais: 49.134 em 2008 e 58.230 em 2009 (segundo o Caged). "Tivemos um aumento de trabalho expressivo, porém, o crescimento de 20% nos acidentes não poderia ocorrer após tanta evolução na área de segurança do trabalho", indigna-se Antônio de Souza Ramalho, presidente licenciado do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de São Paulo). "As mortes subiram de 7 (2008) para 23 (2009)", contabiliza.
De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 69% dos trabalhadores da construção civil não possuem carteira assinada. Metade está nos condomínios e outro tanto está em reformas de lojas e do trabalho formiguinha. Os bons profissionais até conseguem um bom rendimento, mas quem os contrata pode ter problemas de abandono de obras caso esses profissionais encontrem outro serviço mais bem remunerado. Apenas aumentar o salário não resolve. Deve haver mais estímulos para o trabalhador manter-se com carteira assinada. O problema de qualificação não difere do ramo imobiliário e de obras de infra-estrutura. Porém, as necessidades são diversas. "Em um edifício convencional, são necessários 187 tipos de profissões diferentes. Já para obras especiais, como pavimentação de estradas, viadutos, barragens, o trabalho demanda maior qualificação", compara Antônio Ramalho.